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Coenzyma Q-10 e performance desportiva

O consumo de nutrientes e o correto aporte de energia são vitais para a manutenção da saúde e performance de um atleta. (1) Quando se fala em correto aporte de energia, os hidratos de carbono ou glícidos são os grandes fornecedores de energia para a maior parte dos eventos competitivos. (2, 3) Por esta razão, é importante refletir sobre a importância do controlo glicémico em nutrição desportiva. O exercício físico: – diminui a concentração de glicose durante e após o exercício; – pois acelera a sua utilização pelo fígado e músculo; – e aumenta a sensibilidade muscular e hepática à ação da insulina; (4) sendo este mecanismo de depleção de glícidos durante o exercício físico, que permite a sua reposição hepática e muscular realizado pela insulina. Efetivamente, as células beta pancreáticas são as responsáveis pela produção de insulina e, consequentemente pela regulação da glicemia sanguínea. Todavia, estas células contém baixos níveis de enzimas antioxidantes, o que as torna mais sensíveis ao dano oxidativo.(5) Desta forma, é necessário a manutenção de baixos níveis de stress oxidativo em atletas, trabalhando para a melhoria da regulação glicémica, fornecimento e reposição de hidratos de carbono eficazes, necessários para o exercício físico. Além disso, o prática de exercício físico de alta intensidade é capaz de instalar um ambiente inflamatório muscular, devido à elevada produção de espécies reativas de oxigénio, podendo favorecer o Delayed Onset Muscle Soreness, que se traduz em dores, rigidez muscular e maior sensibilidade, podendo afetar e reduzir os níveis de performance física, perda de massa muscular, fadiga e lesões. (6) Estas consequências devem ser evitadas ao máximo, especialmente em atletas, que dependem exclusivamente do seu estado de saúde físico para o êxito desportivo. Desta forma, como podemos mitigar o dano oxidativo resultante do exercício intenso e, ao mesmo tempo manter um bom controlo glicémico, que é essencial para o fornecimento de energia adequado? Atletas necessitam de energia imediata para o exercício, proveniente da ingestão de macronutrientes como a glicose. Para metabolizar a glicose ingerida através da dieta é necessário um processo chamado respiração celular, onde a glicose é degradada e a sua energia é usada na formação de ATP (adenosina trifosfato). Parte deste processo é decorrido dentro da mitocôndria, onde a ação da Coenzima Q10 é crucial.

A Coenzima Q10 é sintetizada no organismo humano, podendo existir na forma oxidada, chamada ubiquinona, ou na forma reduzida, denominada ubiquinol. A coenzima Q10 apresenta inúmeras funções. Nomeadamente, na forma de ubiquinol é um potente antioxidante com a função de proteger membranas celulares mais sensíveis no nosso organismo contra o dano oxidativo. (7, 8) Desempenha ainda outra importante função, relativamente à produção de energia, através da respiração celular realizada na mitocôndria, onde utiliza a energia proveniente dos nutrientes para a produção de ATP (molécula que armazena energia). Órgãos como o coração e o músculo esquelético requerem níveis de energia consistente e robusta, que depende do fornecimento suficiente de CoQ10. Poucos estudos investigaram o estado de CoQ10 em atletas. Porém, alguns estudos mostram que atletas apresentam níveis plasmáticos e musculares baixos durante períodos de exercício mais intensos, ou até mesmo quando comparados com indivíduos normais saudáveis. (9, 10) Desta forma, existe alguma evidência que atletas necessitam de aportes superiores de CoQ10, devido ao elevado requisito metabólico que são submetidos. Outras razões que podem diminuir os níveis de  CoQ10 em atletas podem estar relacionados com a adesão a dietas vegetarianas; situações de biossíntese comprometida devido a deficiências nutricionais, como selénio, vitamina B6, magnésio, etc.; situações de consumo elevado de vitamina E, que inibe a captação de CoQ10 proveniente da dieta e reduz os níveis plasmáticos de CoQ10; terapia farmacológica com estatinas limita a biossíntese e depleta os níveis plasmáticos de CoQ10. (11) Uma das formas de corrigir estes défices (sempre com a confirmação através da realização de análises bioquímicas), pode ser recorrendo à suplementação. Todavia, o valor exato da dose vantajosa e eficaz não tem consenso entre a comunidade científica, sendo desta forma imperativo frisar a individualidade metabólica e genética de cada atleta, sendo ideal uma suplementação individualizada, sempre com o objetivo de usufruir das caraterísticas da CoQ10 para melhoria da performance, descrita já em alguns estudos. Quanto à sua potencialidade ergogénica, Dietmar e colaboradores (11) realizaram um estudo, que tinha como objetivo investigar em que extensão o treino físico em atletas de elite podia ser positivamente influenciado pela toma adicional de 300mg de Ubiquinol de forma crónica (6 semanas), comparativamente a um placebo. Efetivamente, a suplementação teve um impacto  significativo no aumento da performance física, medida através da potência máxima, mas apenas para resultados absolutos. Os mesmos resultados expressos em percentagem não demonstraram significância estatística. Apesar do estudo relatar apenas uma pequena vantagem numérica, entre o grupo experimental e o grupo de controlo é importante destacar, que em atletas de elite todos os pormenores são vitais. Estes atletas detém níveis de competência tão elevados, que é difícil demonstrar qualquer benefício ergogénico adicional fruto da suplementação, que promova melhoria no desempenho físico. É de importância acrescentar que a suplementação com CoQ10 pode particularmente beneficiar ainda mais atletas sénior, pois o processo de envelhecimento reduz o número de mitocôndrias no organismo, assim como o nível de CoQ10 nos tecidos também diminui. Assim sendo, aumentar o conteúdo de CoQ10 nas mitocôndrias já existentes pode ajudar a compensar os défices que advém deste processo inevitável. Noutro trabalho, Cooke e seus colaboradores (12) tentaram determinar se a suplementação com CoQ10 sublingual, de forma aguda (1 dose) ou crónica (durante 14 dias) melhorava a performance ambos em indivíduos treinados e não treinados. Ambas as formas de suplementação aumentaram os níveis plasmáticos e musculares de CoQ10. Mas na verdade, nenhuma das formas de suplementação aguda e crónica revelaram melhorias no índice de endurance muscular e capacidade anaeróbia, porém, constatou-se uma forte tendência no aumento do tempo de exercício até à exaustão, isto é, houve maior tolerância à carga de trabalho, podendo ser um indicador da fosforilação oxidativa aprimorada. Com efeito, não se sabe exatamente o mecanismo de atuação da CoQ10, podendo atribuir-se à combinação de uma fosforilação oxidativa mais eficiente na mitocôndria, conseguindo manter este processo mais tempo, produzir mais ATP e por consequência prolongar o exercício físico e/ou ao efeito protetor contra o dano oxidativo, uma vez que a CoQ10 é uma potente molécula antioxidante, que suporta a regeneração de outros antioxidantes, influencia a estabilidade, fluidez e permeabilidade das membranas. Em suma, a importância da CoQ10 nos vários processos metabólicos é inegável, assim como o seu potencial ergogénico em atletas de elite se demonstra promissor na melhoria da performance. Efetivamente, é fundamental sublinhar a importância da individualidade e singularidade de cada atleta, pois cada indivíduo é um sistema genético, biológico e metabólico único, fruto de uma multitude de fatores. Por essa razão, é aconselhável um conhecimento e monitorização específica, sendo mais fácil a compreensão e planeamento das necessidades e execução dos objetivos, tendo sempre em vista a otimização das sessões de treino e melhoria da performance nos eventos competitivos.

1.         Paquot N. [Sports nutrition]. Rev Med Liege. 2001; 56(4):200-3.

2.         Jensen J, Ruzzin J, Jebens E, Brennesvik EO, Knardahl S. Improved insulin-stimulated glucose uptake and glycogen synthase activation in rat skeletal muscles after adrenaline infusion: role of glycogen content and PKB phosphorylation. Acta Physiol Scand. 2005; 184(2):121-30.

3.         Jensen J, Jebens E, Brennesvik EO, Ruzzin J, Soos MA, Engebretsen EM, et al. Muscle glycogen inharmoniously regulates glycogen synthase activity, glucose uptake, and proximal insulin signaling. Am J Physiol Endocrinol Metab. 2006; 290(1):E154-e62.

4.         Yen CH, Chu YJ, Lee BJ, Lin YC, Lin PT. Effect of liquid ubiquinol supplementation on glucose, lipids and antioxidant capacity in type 2 diabetes patients: a double-blind, randomised, placebo-controlled trial. Br J Nutr. 2018; 120(1):57-63.

5.         Evans JL. Antioxidants: do they have a role in the treatment of insulin resistance? Indian J Med Res. 2007; 125(3):355-72.

6.         Lewis PB, Ruby D, Bush-Joseph CA. Muscle soreness and delayed-onset muscle soreness. Clin Sports Med. 2012; 31(2):255-62.

7.         Ikematsu H, Nakamura K, Harashima S, Fujii K, Fukutomi N. Safety assessment of coenzyme Q10 (Kaneka Q10) in healthy subjects: a double-blind, randomized, placebo-controlled trial. Regul Toxicol Pharmacol. 2006; 44(3):212-8.

8.         Hosoe K, Kitano M, Kishida H, Kubo H, Fujii K, Kitahara M. Study on safety and bioavailability of ubiquinol (Kaneka QH) after single and 4-week multiple oral administration to healthy volunteers. Regul Toxicol Pharmacol. 2007; 47(1):19-28.

9.         Littarru GP, Battino M, Tomasetti M, Mordente A, Santini S, Oradei A, et al. Metabolic implications of coenzyme Q10 in red blood cells and plasma lipoproteins. Mol Aspects Med. 1994; 15 Suppl:s67-72.

10.       Ho CC, Tseng CY, Chen HW, Chiu YW, Tsai MC, Chang PS, et al. Coenzyme Q10 status, glucose parameters, and antioxidative capacity in college athletes. J Int Soc Sports Nutr. 2020; 17(1):5.

11.       Alf D, Schmidt ME, Siebrecht SC. Ubiquinol supplementation enhances peak power production in trained athletes: a double-blind, placebo controlled study. J Int Soc Sports Nutr. 2013; 10:24.

12.       Cooke M, Iosia M, Buford T, Shelmadine B, Hudson G, Kerksick C, et al. Effects of acute and 14-day coenzyme Q10 supplementation on exercise performance in both trained and untrained individuals. J Int Soc Sports Nutr. 2008; 5:8.

Bárbara Nogueira

A Bárbara Nogueira é apaixonada pela vida e adora colecionar experiências, e foi por isso que, após concluir a sua licenciatura, aliou os seus conhecimentos ao gosto de ajudar o próximo e se dedicou ao trabalho voluntário no México e na Guatemala, como Nutricionista Clínica.

No regresso, concluiu o seu registo na Ordem dos Nutricionistas, tendo de seguida alterado a sua residência para a Dinamarca onde fez o seu mestrado em “Innovation and Health” na Universidade de Copenhaga, tendo começado nesse ano a colaboração com a Nordic. Alguns anos depois, e já como Sales Representative da Nordic Labs e Agente da DNAlife, foi para o Brasil, onde estabeleceu o mercado DNAlife from Nordic Laboratories, que no final foi uma estada curta, mas muito produtiva, tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal.

No seu percurso, contacta ainda com abordagens holísticas, tendo enveredado pela meditação, yoga e vegetarianismo, fruto também da sua ligação à natureza e aos animais (foi atleta de Hipismo durante 15 anos). 

 De volta a Portugal, já como formadora de Nutrigenética e com várias certificações, nomeadamente pelo Instituto de Medicina Funcional e pela Universidade da Califórnia (na temática Baby-Led Weaning), adiciona a Pós-graduação pela Porto Business School em Gestão e Administração de Empresas. 

E dá início à sua maior e melhor aventura até agora: ser mãe! 

Assim, hoje, a Bárbara dedica-se à formação e integração de novos profissionais de saúde na missão de mudar o sistema de saúde, aspirando a possibilidade de cada indivíduo ser visto com a individualidade que merece, no mercado Ibérico e Latino-Americano. E, ainda, diariamente acompanha os profissionais de saúde da Nordic Clinic dando todo o apoio necessário às suas práticas clínicas de excelência. 

Dr Eduardo Filipe Coelho

O Dr Eduardo Filipe Coelho, iniciou e desenvolveu a sua paixão pelo desporto no handebol, tendo praticado a modalidade durante 25 anos, dentro dos quais, 10 foram como profissional, tendo representado Portugal várias vezes (271 partidas).

Posteriormente, em 2007, começou o seu trabalho com atletas, tendo em 2015 concluído a sua especialidade como Especialista em Medicina Desportiva.

Desde então, começou a investigar e a querer saber mais sobre as formas mais atuais e inovadoras, que o permitiriam ajudar os seus atletas e demais pacientes. Foi, nesse momento, que se cruzou profissionalmente com a Nordic e com a abordagem da Medicina Personalizada. 

Hoje, assume o cargo da Direção Clínica da Nordic Clinic Porto, mantendo o seu foco de proporcionar planos de ação para que aqueles que contactem consigo vivam a saúde óptima que lhes é possível e alcancem o melhor desempenho nas suas atividades diárias.

Por isso, é para o Dr Eduardo, fulcral aprimorar os seus conhecimentos, sendo a sua presença em conferências, cursos e outros eventos de carácter internacional, frequente.

Porque é a vitamina B9 tão importante durante a gravidez?

A vitamina B9 é um nutriente essencial, o que significa que o organismo não é capaz de o produzir, devendo ser ingerido através do alimentos.

Intervém na replicação do DNA e é o substrato de uma série de reações enzimáticas, sendo por isso crucial para o bom funcionamento do organismo.

A vitamina B9 pode existir sob estas duas formas:

  • Folato: ocorre naturalmente em alimentos como vegetais de folha verde, leguminosas, gema do ovo, fígado e frutas cítricas;
  • Ácido fólico: é a forma sintética e é utilizada para fortificar alimentos (como farinhas, pão, massa e etc.) e em suplementos.

No entanto nenhuma destas formas é utilizada diretamente pelo nosso organismo, sendo necessárias uma série de reações enzimáticas para que isso ocorra.

Uma das enzimas chave deste processo é a metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR).  O funcionamento desta enzima tem ação direta na forma como o nosso organismo utiliza o folato. A variação genética “desfavorável” diminui a actividade da enzima até 70%.

Tendo em conta este efeito a nível da actividade da enzima, não é de estranhar que a presença da variação genética “desfavorável” do MTHFR, juntamente com outros fatores trombofílicos tenham sido associados a um aumento do risco de perdas fetais, ou a um aumento de risco de trissomia 21.

Esta variação genética ocorre em cerca de 33% da população portuguesa.

A vitamina B9 é essencial para um bom funcionamento do organismo e torna-se ainda mais importante na preparação de uma gravidez e durante a gestação sendo que:

  • Na fase do planeamento da gravidez é importante para prevenir problemas de desenvolvimento associados às primeiras semanas de gestação;
  • Durante a gestação para assegurar  o normal crescimento e desenvolvimento do feto.

As deficiências deste nutriente estão associados a anemia na mãe e malformações congénitas no bebé.

As quantidades de vitamina B9 provenientes da alimentação não são suficientes para dar resposta às necessidades acrescidas durante a gestação, assim torna-se imperativo o uso de um suplemento alimentar.

A identificação da variação genética “desfavorável” do MTHFR, ajuda na indicação do suplemento mais adequado para cada gestante ou mulheres que querem engravidar.

Referências:

doi.org/10.1111/j.1600-0897.2006.00376.x

doi.org/10.1093/qjmed/hcg039

Qual o impacto da alimentação an síndrome do ovário poliquístico?

A Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP) é uma condição clínica que afeta mulheres em idade fértil e que se caracteriza por hiperandrogenismo e disfunção ovulatória. (1)

Para que uma mulher seja diagnosticada com SOP, segundo o National Institute of Health, deve apresentar os seguintes critérios: (1)

  • Oligo-ovulação (ovulação irregular) ou anovulação (ausência de ovulação)
  • Hiperandrogenismo clínico ou bioquímico (excesso de androgénios)

Já segundo o Consenso de Rotterdam, a mulher deve apresentar dois dos seguintes critérios de diagnóstico: (2)

  • Oligo-ovulação (ovulação irregular) ou anovulação (ausência de ovulação)
  • Hiperandrogenismo clínico ou bioquímico (excesso de androgénios)
  • Ovários poliquísticos

Sabia que umas das principais manifestações clínicas da SOP é a RESISTÊNCIA À INSULINA (cerca de 70%)? (2)

A insulina é a hormona que sinaliza o transporte da glicose (acúcar) do sangue para as células. Logo, se na maior parte dos casos, mulheres com SOP têm resistência à ação da insulina então podemos dizer que existe uma maior probabilidade de estas mulheres desenvolverem patologias como a Diabetes mellitus. (2)

E aí a alimentação e a nutrição têm um papel fundamental. Não só para o aumento da sensibilidade à insulina como para a manutenção do peso.

Mulheres que sofrem de SOP devem ser fortemente aconselhadas no sentido da mudança do seu estilo de vida, nomeadamente no que diz respeito à manutenção do peso, alimentação, exercício físico e, se for o caso, à cessação de hábitos tabágicos. (3)

FONTES:

(1) doi:10.1093/humrep/dep399

(2) Antunes, B., Mação, N., Moreira, J., Ramos, A. (2018). Nutrição Funcional na Saúde da Mulher. Atheneu. Rio de Janeiro.

(3) doi:10.1007/s11892-002-0061-y

Andreia Morim

É nutricionista e acredita que a nutrição é um dos pilares mais importantes para uma saúde plena e duradoura. O seu maior objetivo enquanto profissional de saúde é poder ajudar e orientar pacientes a descobrirem seu próprio caminho para esse estado de saúde plena, com base em mudanças na alimentação e estilo de vida.


Licenciada desde 2013, sempre soube que a nutrição clínica era a sua área de atuação de preferência. Em 2014 teve a sua primeira experiência profissional num hospital de referência em Portugal, onde atendia pacientes provenientes de diferentes valências clínicas ao mesmo tempo que dava apoio nutricional no internamento.


Ao longo do tempo, enquanto contactava com diferentes pacientes e diferentes patologias, apercebeu-se de que a saúde era muito mais do que a ausência da doença, era o bem-estar geral de cada paciente que atendia e que a nutrição tinha um papel fundamental nesse sentido, não só a nível preventivo como na promoção da saúde e envelhecimento saudável.
Dois anos mais tarde, inicia a Certificação e Nutrição Funcional e Personalizada pela Nutriscience, a única até à data em Portugal, concluindo-o com sucesso. Considera que esse foi o verdadeiro ponto de partida para o mundo maravilhoso da Nutrição Funcional.

No início de 2019 começou a trabalhar na Nordic Clinic Porto como nutricionista e patient educator. Em 2021 concluiu o curso Nutrição Funcional e Exames Laboratoriais na Diabetes no Brasil. É a nutricionista responsável pelo programa Nordic Women’s Health e atua essencialmente nas seguintes áreas:

  • Abordagem nutricional na Síndrome dos Ovários Poliquísticos
  • Abordagem nutricional na Endometriose
  • Abordagem nutricional Síndrome Pré-Menstrual
  • Abordagem nutricional na prevenção do cancro da mama hormono-dependente
  • Abordagem nutricional na pré-menopausa e menopausa
  • Abordagem nutricional na Diabetes Mellitus

Daniela Seabra

A Daniela Seabra é nutricionista desde 1999, e desde 2000 que exerce nutrição na área clínica, primeiro no Hospital Geral de Santo António (Porto), depois no Centro Hospitar entre Douro e Vouga (Santa Maria da Feira), na clínica de Medicina Funcional Dra Cristina Sales, e depois na Nordic Clinic Porto.

Em 2004 tem o privilégio de se cruzar com a Dra Cristina Sales, cuja visão sobre as doenças crónicas despertaria em si um interesse e curiosidade que nunca mais perdeu, e em 2005 passa a integrar a sua equipa como nutricionista. Até 2013 mantém em simultâneo a sua prática clínica no Centro Hospitalar entre Douro e Vouga, e na clínica da Dra Cristina  Sales (e desde 2013 apenas na clínica) onde pôde observar o impacto do trabalho interdisciplinar, das mudanças de estilo de vida, da alimentação e da nutrição, podem ter na melhoria da qualidade de vida de diferentes doenças crónicas.

Em 2008 aprende o papel que a alimentação e nutrição podem ter nas perturbações do espectro do autismo, e em 2009 estava nos Estados Unidos a fazer um curso com o Autism Research Institute – os pioneiros e a referência (naquela altura), nesta forma de abordar as perturbações do espectro do autismo.

Em 2010 vai novamente aos Estados Unidos para um curso sobre Nutrição Funcional no Institute for Fuctional  Medicine, e em 2011 vai a Londres fazer o módulo inicial para a certificação em Medicina/ Nutrição Funcional pelo IFM. É em 2018 que completa com distinção o exame de certificação, com uma classificação incluída nas notas 20% mais elevadas.

Em 2016, também com o IFM faz 2 treinos avançados em pediatria e em prevenção do declínio cognitivo, tornando-se uma “Recode Practicioner”.

Em 2019 integra o grupo clinico da Nordic Clinic e em 2020 passa a assumir a coordenação da equipa de Nutrição da Nordic Clinic Porto.

As suas áreas de atuação preferenciais são nutrição para optimização da função neuronal (neurodesenvolvimento, neurodegeneração, declínio cognitivo e melhoria de performance cognitiva, e doenças mental), áreas com uma forte componente da função mitocondrial como síndrome de fadiga crónica, fibromialgia ou enxaquecas). Dada a elevada associação entre a função neuronal e a função digestiva, também se especializou em diferentes distúrbios do trato gastrointestinal. A nutrigenética e a nutrigenómica são também uma área de interesse, dada a implicação em diferentes áreas metabólicas.

Dada a elevada procura que teve ao longo destes anos por diferentes pacientes com problemas crónicos complexos, teve também necessidade de otimizar os seus conhecimentos a nível da modulação da inflamação, e metabolismo hormonal.

Çagla Sen

Çagla Sen – Nutricionista & Patient Educator

A Çagla trabalha na Nordic Clinic Porto como nutricionista e também patient educator. É a responsável pelo Nordic Maternity Program. A Çagla dedica-se a ajudar os seus pacientes a atingir o seu estado ótimo de saúde.

A Çagla trabalha como nutricionista desde 2014. Após terminar a sua licenciatura teve oportunidade de desenvolver o seu trabalho em ambiente hospitalar e em clínicas privadas, ao mesmo que tempo que tirou diferentes cursos na área da nutrição e acabou por se cruzar com a nutrição funcional. Desde essa altura certificou-se em Nutrição Funcional e Personalizada pela Nutriscience e completou o módulo de Appliyng Functional Medicine in Clinical Practice pela Institute for Functional Medicine.

No início de 2020 começou a desenvolver o Nordic Maternity Program para ajudar mães e futuros pais a ter acesso a toda a informação e apoio durante esta fase especial na vida de uma família.

Mulher, 34 anos, com encefalomielite miálgica e síndrome de fadiga crónica

A nossa paciente foi diagnosticada por encefalomielite miálgica (EM / síndrome de fadiga crónica) após uma infecção no Outono de 2013. A infecção não progrediu e ela continuou, como habitualmente, com trabalho e exercício. Após cada exercício, ela ficava com dor de garganta. Mais tarde, começou a sentir falta de força nas pernas, mesmo com pequenos esforços. A nossa paciente tinha muito pouca força física e mental e a sua saúde e bem estar deterioravam-se rapidamente. Sentia taquicárdias, palpitações cardíacas, infecções frequentes com febre e sensações sonoras e leves que eram muito stressantes. Tinha feito algumas alterações alimentares e começou com a acupunctura. Em 2016, a paciente começou a sua viagem na Nordic Clinic com o preenchimento de um questionário abrangente e de um diário alimentar.

Testes utilizados:

  • Teste de SIBO
  • Teste de ácidos orgânicos
  • Teste da flora Intestinal
  • Teste genético

Testes – Resultados:

  • O teste de SIBO mostrou elevado crescimento bacteriano.
  • O teste de ácidos orgânicos mostrou alguns distúrbios nos processos bioquímicos, tais como produção de energia mitocondrial.
  • O teste da flora intestinal mostrou algum sobrecrescimento de leveduras no intestino e um défico de ácidos gordos de cadeia curta.
  • O teste genético revelou, entre outras coisas, polimorfismos nucleotídicos únicos (SNPs) em genes responsáveis pela biotransformação, desintoxicação e produção de antioxidantes endógenos, um risco aumentado de inflamação via IL-6 e uma diminuição da sinalização da vitamina D.

Sugestão de Tratamento:

  • Eliminação do sobrecrescimento bacteriano: Dieta baixa em FODMAPs, assim como agentes antimicrobianos para melhoria do sobrecrescimento bacteriano e tratamento antiviral (diminuindo a replicação viral).
  • Optimização da produção de energia mitocondrial: terapia nutricional orientada com nutrientes específicos para apoiar os processos bioquímicos.
  • Apoio à integridade e função da mucosa intestinal/ promoção de uma flora intestinal saudável e rica: Probióticos/Butirato/Suplementação para promover um bom ambiente na mucosa intestinal.
  • Suplementos para suporte dos processos identificados pelo teste genético.

Intervenções de estilo de vida sugeridas:

  • Comer uma grande variedade de alimentos para contribuir para a riqueza microbiana na flor intestinal.
  • Aumentar gradualmente a actividade física.
  • Meditação.
  • Exposição à luz solar no início da manhã.
  • Exercícios para activação do nervo vago.

Resultados e follow-up:

  • Após o tratamento, o paciente foi submetido a um novo teste de SIBO, com resultado negativo.
  • A paciente começou a praticar exercício físico em 2017 e hoje consegue exercitar-se cerca de 75% e sente-se “muito, muito melhor”.
  • A paciente melhorou significativamente a digestão, recupera mais rapidamente e consegue integrar mais atividades.
  • A necessidade de dormir diminuiu significativamente.

Mulher, 35 anos, susceptibilidade a infecções e fadiga

Durante dez anos, a nossa paciente sentiu um cansaço cada vez mais severo e uma susceptibilidade aparentemente inexplicável às infecções. Sofria de infecções recorrentes com mais frequência do que os seus amigos e sentia-se frequentemente com fome. Ela questionava se o seu sistema imunitário estava a funcionar correctamente. Quase todas as semanas, tinha a sensação de não estar bem e muitas vezes sentia-se doente ao ponto de nem se atrever a fazer exercício. Após o exercício físico, por vezes adoecia durante uma semana, chegando ao ponto de não conseguir levantar-se da cama. A paciente tinha uma dieta boa e variada, dormia bem e fazia exercício regularmente. Contudo, tinha uma vida de trabalho intensa sem tempo para recuperar e durante vários anos tinha viajado muito, com fusos horários muito diferentes. As suas análises de sangue mostraram uma TSH ligeiramente elevada, o que indica um mau funcionamento da glândula da tiróide. A paciente veio para a Nordic Clinic em 2018, no Outono.

Testes utilizados:

  • Teste para SIBO
  • Teste abrangente da tiróide
  • Teste para avaliação da função e da flora intestinais, que mostrou um ligeiro desequilibrio na flora intestinal
  • Teste de avaliação da função adrenal

Testes – Resultados:

  • O teste de SIBO mostrou níveis muito elevados de bactérias produtoras de hidrogénio, o que pode levar a sintomas sinstémicos como fadiga e inflamação.
  • O teste abrangente da tiróide confirmou uma TSH ligeiramente aumentada, assim como níveis de selénio e lítio subóptimos.
  • Teste para avaliação da função e da flora intestinais mostrou um ligeiro desequilíbrio da flora intestinal.
  • Teste para avaliação da função adrenal mostrou baixos níveis de cortisol, além de baixos picos nos períodos da manhã e ao longo do dia, que podem contribuir para a fadiga.

Sugestão de Tratamento:

  • Foram prescritos antibióticos e posteriormente usadas outras preparações antimicrobianas como tratamento prolongado.
  • Suplementação de selénio, lítio e suplementação para optimização da função tiroidea.
  • Probióticos.
  • Suplementação para melhoria da função adrenal.

Intervenções de estilo de vida sugeridas:

  • Limitar a ingestão alimentar para 8h/dia e jejum nas restantes (jejum 16:8h).
  • Caminhar 10000 passos/dia, medidos com um Fitbit.
  • Priorizar o sono e reparação.
  • Exposição à luz solar de manhã.
  • Limitar a ingestão de café para 1 chávena/dia.


Resultados e follow-up:

  • A paciente sofria de uma ligeira obstipação que melhorou discretamente após o tratamento.
  • A paciente descreve a sua saúde comparando-a ao dia e à noite quando refere o antes e o depois do tratamento na Nordic Clinic.
  • A paciente sentia-se de rastos e extremamente cansada, vivendo uma vida limitada antes do tratamento. Agora já não se deita na cama às oito da noite, mas foi-lhe dada esperança e fé para lidar com os filhos pequenos e aguarda com ansiosamente os próximos desafios. O seu marido também nota “uma enorme diferença”.
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